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A ausência quase absoluta de documentos antigos que possam determinar,
com algum rigor, as origens e fundação desta Cidade, não
nos permite garantir com precisão nem o ano em que nasceu, nem a
sua origem.
A. Arala Pinto sugere que se pode datar da altura da construção
do Mosteiro da Batalha a indústria vidreira da Marinha Grande. O
complexo trabalho de elaboração dos seus vitrais teria exigido
a existência de uma oficina perto do local da obra. Essa oficina
poderá ter sido na Marinha Grande, onde se encontra a areia quartzosa
e fina, que de mistura com uma das bases alcalinas, potassa ou soda, e
com os óxidos metálicos de variadas cores, teria sido fundida
em fornos alimentados com a lenha do Pinhal de Leiria.
Os terrenos e povoações que formam hoje o concelho da Marinha
Grande foram conquistados aos mouros em 1142, por D. Afonso Henriques.
Este concedeu os terrenos que integravam a região de Alcobaça
e Leiria aos monges da Ordem de Cister. Estes terrenos confrontariam pelo
Norte com o Pinhal de Leiria.
Passaram depois por vários senhorios e, por ordem de D.Dinis, para
o poder da Casa Real para, com os seus rendimentos, esta poder suprir as
despesas feitas com o enxugo dos Campos de Ulmar ( hoje conhecidos como
Campos do Lis).
Os senhorios seguintes foram D. Afonso (sobrinho de D. Dinis) e a rainha
Santa Isabel. O rei D. Dinis ofereceu-lhe estas terras em 4 de Julho de
1300 como retribuição de favores prestados.
D. Leonor Teles e o Conde D. Gonçalo foram os senhorios seguintes,
até que D. João I revogou estas doações com
a intenção de jamais as deixar sair da propriedade real.
Esta vontade do monarca não foi cumprida e em 1475, o rei D. Afonso
V concedeu a seu primo D. Pedro de Meneses grandes regalias na região:
a Alcaidaria de Leiria, o Palácio que tinha sido residência
de D. Dinis em Leiria, todos os direitos sobre as rendas do pez do Pinhal
e a concessão de possuir em exclusivo, em S. Pedro de Moel, vários
barcos para o comércio marítimo.
Em 1510, o Rei D. Manuel I mandou demarcar o concelho de Leiria, de que
fazia parte a povoação da Marinha Grande.
Com D. Fernando tornou-se a principal fonte de abastecimento de madeira
para a construção naval. O Pinhal associou-se deste modo
às origens da povoação.
Toponimicamente a aldeia, à medida que se desenvolvia, ia também
mudando de nome:
No ano de 1590, por ter sido erigida a primeira capela, passou a denominar-se
SANTA MARIA DA MARINHA; mais tarde, em 1600, por ter passado a Freguesia,
graças ao Bispo de Leiria, D. Pedro de Castilho, passou a usar o
nome de NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DA MARINHA; no ano de 1750 o ministro
Marquês de Pombal ordenou que se chamasse MARINHA GRANDE.
A Marinha Grande e as povoações em redor pertenceram, até
1600, à freguesia de S. Tiago do Arrabalde, de Leiria. O povo tinha
de se deslocar a pé e atravessar o rio Lis em barcos quando queria
ouvir missa ou fazer registos civis. Em 1590, os moradores da M. Grande
e da Garcia pediram ao Bispo que autorizasse dizer-se missa numa pequena
Ermida erigida no centro da Marinha Grande (sítio onde está
hoje a Igreja Paroquial), de invocação a Nª Srª
do Rosário.
A nova freguesia desenvolveu-se rapidamente, graças aos muitos trabalhadores
necessários, não só para a expansão do Pinhal,
mas também para a implantação da Real Fábrica
de Vidros da Marinha Grande.
Em 1810 a freguesia tinha já cerca de 2120 habitantes e era já
a mais populosa de todo o distrito.
Em face desse desenvolvimento, o alemão Frederico Varnambur, que
tinha sido nomeado Administrador Geral das Matas e Pinhais do Reino, levou
ao conhecimento da Rainha D. Maria II a grandeza da freguesia da Marinha
Grande, aproveitando também por lhe fazer sentir que, por esse facto
e pelas perspectivas do seu futuro promissor, havia grande necessidade
de a elevar à categoria de Concelho.
O despacho favorável foi publicado no Diário do Governo nº
283, em 6 de Novembro de 1836; formava o novo Concelho da Marinha Grande
de que faziam parte as seguintes freguesias: Marinha Grande, Vieira de
Leiria, Carnide, Monte Real, Maceira e o lugar da Moita.
Entretanto iniciaram-se em Lisboa os estudos da "Novíssima Reforma
Judiciária" e o novo Código Administrativo e um novo decreto,
o nº. 93, de 17 de Abril de 1838, revogou o despacho anterior e eliminou
o novo concelho da Marinha Grande.
A partir daí o povo da Marinha Grande, desgostoso pela resolução
Real, iniciou grande campanha a favor da restauração do concelho.
Entre as variadas campanhas e lutas, salienta-se a fundação
do jornal "Autonomia", em 13 de Outubro de 1899.
Em Janeiro de 1917, por proposta do deputado Magalhães Godinho foi
aprovado no Congresso da República a restauração do
concelho.
Assim, no Diário do Governo de 20 de Janeiro de 1917, vinha publicada
a Lei nº. 644, com o seguinte teor:
"Artigo
1º. - É restaurado o antigo Concelho da Marinha Grande, com
sede naquela Vila, e constituído por esta freguesia e pela de Vieira,
que, portanto fica desanexada do concelho de Leiria. ..."
Em 16 de Fevereiro de 1917, o Governador
Civil de Leiria nomeou a Comissão Instaladora, composta por:
José
dos Santos Barosa (Presidente), José Simplício de Sousa Virgolino,
Joaquim Matias Sobrinho, Ilídio Duarte de Carvalho e Joaquim Gouveia
Pedrosa (vogais).
No dia 26 de Março de 1917, iniciaram-se os festejos comemorativos
da restauração do concelho, com a vinda de altas individualidades
distritais e do Governo Central.
Esta
Comissão designou os membros do novo Senado e da nova Câmara,
indicando os respectivos Presidentes que foram empossados em 8 de Outubro
de 1917.
Senado Municipal - António Matias.
Câmara Municipal - José Simplício S. Virgolino.
11 de Março de 1988 passará a ser considerado um dia histórico para a Marinha Grande, pois neste dia a Assembleia da República aprovou a sua elevação à categoria de cidade.


O Marquês de Pombal deu-lhe permissão para gastar a lenha do estado num perímetro
de 1 légua (cerca de 5 500 metros). Um marco situado à entrada do Palácio
Stephens (actual museu do vidro) diz isso respectivamente. "Por ordem de
Marquês de Pombal toda a madeira situada a 'una' légua deste marco é
pertencente à Fábrica Real de Vidros". A fábrica
ficou sob protecção do rei, como útil ao bem público
e ao dos pinhais. (Parágrafo corrigido por Tiago Inácio, 19/10/2007)


Foi um dos primeiros Presidentes
da Câmara e bastante se esforçou para que a localidade regressasse
a Concelho. A indústria, agraciada com a Comenda de Mérito
Industrial, em 9 de Novembro de 1898, perdurou para além da sua
morte.