HISTÓRIA
Idade Média
História Contemporânea
18 de Janeiro de 1934
Homens Ilustres
 

INTRODUÇÃO


            A MARINHA GRANDE é sede de concelho e de comarca. Pertence ao distrito de Leiria e à diocese de Leiria e Fátima. Estende-se por 187 Kms2 e tem uma população de cerca de 35 mil habitantes.
            Foi uma localidade mítica enquanto fermento de lutas operárias contra o Estado Novo e permaneceu como centro nevrálgico da indústria vidreira.
            O feriado concelhio é na Quinta-feira da Ascensão, sendo a feira anual em Abril.

            A ausência quase absoluta de documentos antigos que possam determinar, com algum rigor, as origens e fundação desta Cidade, não nos permite garantir com precisão nem o ano em que nasceu, nem a sua origem.
            A. Arala Pinto sugere que se pode datar da altura da construção do Mosteiro da Batalha a indústria vidreira da Marinha Grande. O complexo trabalho de elaboração dos seus vitrais teria exigido a existência de uma oficina perto do local da obra. Essa oficina poderá ter sido na Marinha Grande, onde se encontra a areia quartzosa e fina, que de mistura com uma das bases alcalinas, potassa ou soda, e com os óxidos metálicos de variadas cores, teria sido fundida em fornos alimentados com a lenha do Pinhal de Leiria.

 


IDADE MÉDIA


            Há alguns documentos que nos falam da antiga povoação da Marinha e que sugerem, sob grande reserva, ter a Marinha Grande nascido entre os séculos XI e XII, fundada por alguns colonizadores que aqui se instalaram para extrair sal das marinhas.
            A avalizar esta hipótese está o facto confirmado de existirem na região várias povoações, longe do mar, com o nome de Marinhas.
            Uma delas teria sido escolhida, por nela existirem já as "manchas de arvoredo de Pinhal Manso"; referidas pelo Professor Carlos Neves, para aí se instalarem os primeiros colonos-povoadores (lavradores, carreiros, lenhadores, serradores, etc.) recrutados pelo Rei D. Dinis, a quem mandou distribuir terras e dar madeira para construírem as suas habitações.
 


Jurisdição Político-Administrativa

            Os terrenos e povoações que formam hoje o concelho da Marinha Grande foram conquistados aos mouros em 1142, por D. Afonso Henriques. Este concedeu os terrenos que integravam a região de Alcobaça e Leiria aos monges da Ordem de Cister. Estes terrenos confrontariam pelo Norte com o Pinhal de Leiria.
            Passaram depois por vários senhorios e, por ordem de D.Dinis, para o poder da Casa Real para, com os seus rendimentos, esta poder suprir as despesas feitas com o enxugo dos Campos de Ulmar ( hoje conhecidos como Campos do Lis).
            Os senhorios seguintes foram D. Afonso (sobrinho de D. Dinis) e a rainha Santa Isabel. O rei D. Dinis ofereceu-lhe estas terras em 4 de Julho de 1300 como retribuição de favores prestados.
            D. Leonor Teles e o Conde D. Gonçalo foram os senhorios seguintes, até que D. João I revogou estas doações com a intenção de jamais as deixar sair da propriedade real. Esta vontade do monarca não foi cumprida e em 1475, o rei D. Afonso V concedeu a seu primo D. Pedro de Meneses grandes regalias na região: a Alcaidaria de Leiria, o Palácio que tinha sido residência de D. Dinis em Leiria, todos os direitos sobre as rendas do pez do Pinhal e a concessão de possuir em exclusivo, em S. Pedro de Moel, vários barcos para o comércio marítimo.

            Em 1510, o Rei D. Manuel I mandou demarcar o concelho de Leiria, de que fazia parte a povoação da Marinha Grande.
            Com D. Fernando tornou-se a principal fonte de abastecimento de madeira para a construção naval. O Pinhal associou-se deste modo às origens da povoação.


 
 

HISTÓRIA MODERNA E CONTEMPORÂNEA


            O Bispado de Leiria constituiu o senhorio anterior à passagem da região, já na actualidade, para o domínio da Câmara Municipal de Leiria. Em 26 de Março de 1917 passou para o domínio da Câmara Municipal da Marinha Grande.

            Toponimicamente a aldeia, à medida que se desenvolvia, ia também mudando de nome:
            No ano de 1590, por ter sido erigida a primeira capela, passou a denominar-se SANTA MARIA DA MARINHA; mais tarde, em 1600, por ter passado a Freguesia, graças ao Bispo de Leiria, D. Pedro de Castilho, passou a usar o nome de NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DA MARINHA; no ano de 1750 o ministro Marquês de Pombal ordenou que se chamasse MARINHA GRANDE.
            A Marinha Grande e as povoações em redor pertenceram, até 1600, à freguesia de S. Tiago do Arrabalde, de Leiria. O povo tinha de se deslocar a pé e atravessar o rio Lis em barcos quando queria ouvir missa ou fazer registos civis. Em 1590, os moradores da M. Grande e da Garcia pediram ao Bispo que autorizasse dizer-se missa numa pequena Ermida erigida no centro da Marinha Grande (sítio onde está hoje a Igreja Paroquial), de invocação a Nª Srª do Rosário.
 
 

 


A Formação da Junta de Freguesia

            A nova freguesia desenvolveu-se rapidamente, graças aos muitos trabalhadores necessários, não só para a expansão do Pinhal, mas também para a implantação da Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande.
            Em 1810 a freguesia tinha já cerca de 2120 habitantes e era já a mais populosa de todo o distrito.
            Em face desse desenvolvimento, o alemão Frederico Varnambur, que tinha sido nomeado Administrador Geral das Matas e Pinhais do Reino, levou ao conhecimento da Rainha D. Maria II a grandeza da freguesia da Marinha Grande, aproveitando também por lhe fazer sentir que, por esse facto e pelas perspectivas do seu  futuro promissor, havia grande necessidade de a elevar à categoria de Concelho.
            O despacho favorável foi publicado no Diário do Governo nº 283, em 6 de Novembro de 1836; formava o novo Concelho da Marinha Grande de que faziam parte as seguintes freguesias: Marinha Grande, Vieira de Leiria, Carnide, Monte Real, Maceira e o lugar da Moita.
            Entretanto iniciaram-se em Lisboa os estudos da "Novíssima Reforma Judiciária" e o novo Código Administrativo e um novo decreto, o nº. 93, de 17 de Abril de 1838, revogou o despacho anterior e eliminou o novo concelho da Marinha Grande.
            A partir daí o povo da Marinha Grande, desgostoso pela resolução Real, iniciou grande campanha a favor da restauração do concelho.
            Entre as variadas campanhas e lutas, salienta-se a fundação do jornal "Autonomia", em 13 de Outubro de 1899.
 

 


Concelho

            Em Janeiro de 1917, por proposta do deputado Magalhães Godinho foi aprovado no Congresso da República a restauração do concelho.
            Assim, no Diário do Governo de 20 de Janeiro de 1917, vinha publicada a Lei nº. 644, com o seguinte teor:
          "Artigo 1º. - É restaurado o antigo Concelho da Marinha Grande, com sede naquela Vila, e constituído por esta freguesia e pela de Vieira, que, portanto fica desanexada do concelho de Leiria. ..."

     Em 16 de Fevereiro de 1917, o Governador Civil de Leiria nomeou a Comissão Instaladora, composta por:
          José dos Santos Barosa (Presidente), José Simplício de Sousa Virgolino, Joaquim Matias Sobrinho, Ilídio Duarte de Carvalho e Joaquim Gouveia Pedrosa (vogais).

            No dia 26 de Março de 1917, iniciaram-se os festejos comemorativos da restauração do concelho, com a vinda de altas individualidades distritais e do Governo Central.
           Esta Comissão designou os membros do novo Senado e da nova Câmara, indicando os respectivos Presidentes que foram empossados em 8 de Outubro de 1917.
              Senado Municipal - António Matias.
              Câmara Municipal - José Simplício S. Virgolino.

 
 

A Elevação a Cidade

            11 de Março de 1988 passará a ser considerado um dia histórico para a Marinha Grande, pois neste dia a Assembleia da República aprovou a sua elevação à categoria de cidade.


 
 

18 de Janeiro de 1934


       O fascismo instalou-se na Itália, com Mussolini e, internacionalmente, na Alemanha de Hitler, em 1933.
       Em Portugal, o fascismo chegou em Julho de 1932, quando Salazar tomou conta da chefia do Governo.
       Em 31 de Dezembro de 1933, Salazar proibiu os sindicatos livres. Esta foi apenas mais uma das acções de repressão e de violação das liberdades individuais do povo Português. Mas a exploração, o desemprego e a coacção sobre as massas operárias era tão evidente e tão anormal que, naturalmente, provocou a revolta dos trabalhadores.
        No dia 18 de Janeiro de 1934, o levantamento operário fez tremer Salazar.
        De 17 para 18 e durante todo o dia 18 de Janeiro, aconteceram no país cortes de linhas telegráficas, descarrilamento de comboios, explosões, assaltos a postos policiais, etc. .
        Contudo foi na Marinha Grande que o movimento operário teve mais expressão graças à maior coesão dos trabalhadores. Estes dominaram a povoação e submeteram a força local da GNR. De madrugada, grupos de acção, cada um de cinco operários, concentraram-se fora da localidade e convergiram depois para os pontos estratégicos: na Quinta do Banco interromperam a via férrea; no Cruto do Valeirão cortaram árvores para obstruírem as estradas; cortaram as linhas telefónicas; um grupo desloca-se a Leiria para ajudar no corte de linhas eléctricas entre Leiria, Batalha e Pombal; os últimos grupos ocuparam o posto da GNR e o edifício dos Correios.
        A população veio para a rua e solidarizou-se com o movimento.
        Contudo, rapidamente, as forças militares da Infantaria 7, Artilharia nº 4, a polícia e a PIDE atacaram e puseram fim ao movimento.
 
 
 

HOMENS ILUSTRES

Guilherme Stephens
        Industrial inglês, nasceu na primeira metade de séc. XVIII e morreu em Londres em 1802.
        Nos princípios de 1769 veio para a Marinha Grande, tendo adquirido uma pequena fábrica de vidros, que desde 1748  era pertença do seu compatriota John Beare. Fez a inauguração pública a 7 de Julho do mesmo ano; aumentou as instalações e o números de operários e dotou-a com os mais aperfeiçoados maquinismos da época.
        O Marquês de Pombal deu-lhe permissão para gastar a lenha do estado num perímetro de 1 légua (cerca de 5 500 metros). Um marco situado à entrada do Palácio Stephens (actual museu do vidro) diz isso respectivamente. "Por ordem de Marquês de Pombal toda a madeira situada a 'una' légua deste marco é pertencente à Fábrica Real de Vidros".  A fábrica ficou sob protecção do rei, como útil ao bem público e ao dos pinhais. (Parágrafo corrigido por Tiago Inácio, 19/10/2007)
       Stephens mandou vir de Inglaterra mestres especializados na indústria do vidro, contratou cinco especialistas genoveses e, tendo admitido grande número de operários a quem mandou ensinar essa arte, fez construir espaçosas oficinas no estilo pombalino.
       Transformou a pequena fábrica de John Beare numa das primeiras fábricas de vidro da Europa do seu tempo: a REAL FÁBRICA DE VIDROS.
        Promoveu a cultura e os divertimentos para os seus operários, fornecendo-lhes mestres de instrução primária de desenho e de música.
       Seguindo o seu exemplo, outros industriais de nacionalidade portuguesa estabeleceram fábricas na Marinha Grande.
       Guilherme Stephens foi coadjuvado por seu irmão João Diogo Stephens, que veio a ser o seu continuador na direcção da fábrica. Em 1826 legou-a ao Estado, "em benefício da Marinha Grande em particular e utilidade deste reino em geral, e em sinal de apreço pelos favores recebidos".
 

José dos Santos Barosa
 
 

        Foi um dos primeiros Presidentes da Câmara e bastante se esforçou para que a localidade regressasse a Concelho. A indústria, agraciada com a Comenda de Mérito Industrial, em 9 de Novembro de 1898, perdurou para além da sua morte.
 
 


OUTROS NOMES
Conde de Azarujinha
Ricardo dos Santos Galo
Conselheiro Taibner de Morais
Guilherme Pereira Roldão
José Morais Matias
António José de Magalhães Júnior
Manuel Pereira Roldão
José Ferreira Custódio Júnior
Joaquim Barosa
António Pereira Roldão
Aires Roque